Alíce no País das Maravilhas ganha atualização em curta de ex-aluno

A criatividade unida à técnica é uma das combinações mais brilhantes que um artista pode ter. Muitos alunos que passam pela SAGA possuem um talento artístico nato, com ideias fantásticas e trabalhos surpreendentes. A função de uma instituição de ensino, nesses casos, é de ajudar o aluno a encontrar ainda mais formas de explorar todo esse conhecimento.
O ex-aluno, Diego Rangel, é um daqueles que enche a escola de orgulho. Após concluir o curso START na SAGA, Diego iniciou sua luta para ganhar destaque no mercado e criou vários trabalhos muito interessantes. Hoje, vamos conhecer dois deles, os curtas: “Alícia no País do Upload” e “Genésio e o Capitão Chip“.
No primeiro, Diego transportou a obra literária de Lewis Carrol (Alíce no País das Maravilhas) para um mundo totalmente atualizado, mas sem perder as características clássicas da obra do autor do século XIX. em contrapartida, o curta “Genésio e o Capitão Chip” é uma explosão de criatividade, que apresenta um peixe estressado com sua rotina.
Para entender e conhecer melhor o trabalho de Diego, fomos bater um papo com ele sobre esses dois curtas, seu trabalho, passagem pela SAGA e pretensões para o futuro.
SAGA: O curta “Alícia nos País do Upload” tem, claro, inspiração na obra clássica Lewis Carrol. Como surgiu a ideia de adaptar uma história do século XIX com um tema tão atual?
Diego: Para falar a verdade, a ideia surgiu quando eu assistia uma palestra com o tema de analfabetismo digital ministrada pelo PHD em Comunicação Digital, Lulli Radfahrer. Percebi a necessidade da criação de algo que explicasse o funcionamento do mundo virtual para quem nunca teve contato com um computador. Algo que fosse completamente claro e aceitável, que educasse e alertasse esses novos usuários das alienações e perigos contido nessa grande ferramenta que é a web. Dai veio a ideia de se fazer uma série de animação com esse tema, tendo como maior desafio mostrar situações reais de um novo usuário fora do ambiente de computador. Ou seja, explicar a internet na televisão.
Foi então que comecei uma analise de roteiros, atento a composição da estrutura das tramas. Até que esbarrei de cara com a obra de Lewis, Alíce no País das Maravilhas. Um conto escrito em 1862, completamente atual, fabuloso e nonsense.
Então me perguntei a mim mesmo: “Nos dias de hoje, existe lugar mais fabuloso e nonsense do que a internet?”
“Voilá”, na minha pergunta estava a peça principal para a montagem do meu quebra cabeças.
O vídeo divulgado é um teaser da série. Você pretende mesmo lançar os curtas? Já tem o apoio que precisa, patrocínio etc?
Estamos trabalhando para lançar o episódio piloto ainda esta ano, o material está sendo produzido de forma independente, e ainda sem nenhum patrocínio. O foco principal é de escrevermos o projeto em editais e festivais neste ano de 2010 (em especial o AnimaTV e o edital da MTV). Estamos também estudando outros meios de captação de verba (empresas privadas) e novas veiculações (websodios).
Como disse, ainda não conseguimos nenhum apoio e/ou patrocínio. No momento a nossa maior preocupação é de estabelecermos uma forte parceria na produção executiva. Alguém que fique responsável pela captação de verba, e estabeleça parcerias consistentes para que possamos ter condições de trabalhar integralmente no projeto.
Vimos também o curta “Genésio e o Capitão Chip”. De onde surgiu essa inspiração?
A inspiração veio de um vídeo viral, talvez o de maior repercussão na internet brasileira, o “Pedro cadê meu chip?”. Justamente pelo fato da produção está voltada para um festival produzido por uma grande empresa da telefonia celular brasileira. Achei que a ligação seria perfeita. Ótimo para usufruir de muito bom humor.
Porém, por trás de muita comédia e ironia, existe uma bela mensagem de aprendizado e inclusão.
Quais são as etapas de produção de um curta como esse? Quanto tempo demora para você criar, desde o conceito, até a finalização do vídeo?
Existem diversos processos até chegarmos ao produto final. Para mim, as primeiras etapas são as mais importantes para uma produção eficiente. Um bom roteiro, um storyboard planejado e personagens bem projetados podem resolver grandes problemas que aparecem no decorrer da produção. No caso de “Genésio e o Capitão Chip”, foi necessário a elaboração de um projeto de fácil execução para que eu pudesse cumprir com o cronograma do edital (prazo muito curto). No total, foram depositadas cerca de 130 horas de trabalho, partindo do zero ao produto final. Porém, como já foi dito, para cumprir com esse cronograma, foi necessário optar por um estilo de animação que fosse de fácil execução. Por isso foi adotado a linguagem cômica, tanto no roteiro como na concepção visual, onde pequenos erros acabam fazendo parte do conceito.
Outra etapa importantíssima para uma boa produção de animação é o casamentos dos movimentos com o áudio, noções de compasso, pitch e um bom acervo de trilhas e samplers também podem ajudar muito e dar vida neste tipo de produção.
Quais conhecimentos obtidos no curso da SAGA te ajudaram a produzir esse tipo de trabalho?
Conhecimentos avançados em softwares de ilustração (Ilustrator e Photoshop) e animação (Flash e After Effects).

Qual sua expectativa para o futuro? O que você pretende fazer profissionalmente?
Minha expectativa é de conseguir verba e parceiros para trabalhar na produção de séries de animação, pois vejo nesta área uma grande oportunidade de contribuir diretamente com a nossa sociedade. Tenho planos de fazer uma pós graduação fora do Brasil e quem sabe abrir um estúdio de animação. Porém, estou aberto a novas oportunidades e parcerias.
Antes de acabar, existe outra série antiga que você pretende utilizar como inspiração para um próximo curta, ou você vai apostar em ideias originais?
Possuo engavetado até o momento seis propriedades para animação, alguns inspirados em grandes roteiros do passado e outros completamente novos e originais, com linguagem muito diferente onde talvez a mídia só esteja preparada para veiculação daqui a uns 10 a 15 anos. Aguardem, muita coisa nova está por vir…
Muito obrigado pela sua entrevista, Diego. Sucesso!
Obrigados a vocês, pela oportunidade de divulgação do meu trabalho e interesse em fortalecer a área de Computação Gráfica no Brasil, em especial, no Nordeste. Se Deus quiser, em breve estaremos recrutando alunos da SAGA para compor uma boa equipe de animação. Abraço a todos!

Diego Rangel, 27 anos, ex-aluno da SAGA Salvador
2 comentários para “Alíce no País das Maravilhas ganha atualização em curta de ex-aluno”